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Combate a incêndio em galpões logísticos: como a altura das prateleiras altera o PPCI da sua planta?

  • há 2 dias
  • 5 min de leitura

O combate a incêndio em galpões logísticos exige um planejamento de engenharia proporcional à geometria e ao volume das mercadorias estocadas. Quando uma planta decide aproveitar o pé-direito para verticalizar o estoque, altera diretamente a dinâmica de propagação do calor, a velocidade do fogo e a barreira física contra a água dos sistemas de proteção.

 

Para o responsável pela segurança contra incêndios da planta, essa mudança operacional sem a devida atualização do Projeto de Prevenção Contra Incêndios (PPCI) representa um risco triplo: reprovação em vistorias do Corpo de Bombeiros, perda da cobertura do seguro e vulnerabilidade a incêndios de difícil controle.


A relação direta entre a altura das prateleiras e a carga de incêndio


O aumento da altura das prateleiras eleva a densidade da carga de incêndio por metro quadrado e cria um efeito chaminé que acelera a subida dos gases quentes até o teto. Em termos práticos, dobrar a altura do estoque não significa apenas armazenar o dobro de materiais, mas multiplicar a velocidade com que as chamas se alastram verticalmente.

 

Quando o material está empilhado em grandes alturas, a água lançada pelos bicos de sprinklers instalados exclusivamente no teto encontra barreiras físicas (as próprias prateleiras e pallets) antes de atingir a base do fogo. Além disso, o calor extremo gerado pela queima em altura pode vaporizar as gotas de água antes mesmo que elas cheguem às camadas inferiores do estoque.

 

Por essa razão, o dimensionamento do sistema hidráulico, os diâmetros das tubulações e a capacidade do conjunto de bombas de incêndio definidos no PPCI original tornam-se insuficientes no momento em que o layout logístico é verticalizado.

 


Como a verticalização exige novas tecnologias de detecção e combate?


A verticalização do estoque exige a transição de sistemas de proteção convencionais para tecnologias de alta vazão ou combate localizado, como os chuveiros automáticos ESFR (Early Suppression, Fast Response) e a proteção in-rack. Chuveiros tradicionais apenas controlam a fumaça e retardam o fogo, enquanto estoques altos exigem a extinção rápida do incêndio na sua fase inicial.

 

A escolha da tecnologia correta de detecção depende diretamente da altura do pé-direito, da altura máxima de armazenagem e da classe dos materiais estocados (como papelão, plásticos ou líquidos).

 

A tabela abaixo sintetiza as principais diferenças entre as tecnologias de combate para galpões logísticos:

 

Tecnologia de combate

Altura máxima recomendada

Mecanismo de atuação

Complexidade de manutenção

Sprinklers convencionais

Até 7,6 metros

Controle e resfriamento do ambiente periférico

Baixa

Sprinklers ESFR

Até 13,7 a 15,2 metros

Supressão rápida com alta vazão e gotas de grande diâmetro

Média

Sprinklers in-rack (nas prateleiras)

Sem limitação rígida

Combate direto no interior das estruturas de estocagem

Alta (requer proteção física contra empilhadeiras)

 

Os chuveiros ESFR são projetados para disparar gotas de água maiores sob alta pressão, capazes de vencer a força ascendente dos gases quentes gerados por prateleiras altas. Já a proteção in-rack posiciona os bicos de combate dentro da própria estrutura porta-paletes, garantindo que a água atinja o foco do incêndio independentemente do bloqueio superior.


O caso de Guarulhos: o risco real da queima profunda e a reativação das chamas


Incêndios em centros de distribuição e empresas de logística que armazenam materiais poliméricos, como tubos e conexões de PVC, apresentam um padrão crítico de queima profunda e alto risco de reativação das chamas. A queima de plásticos gera crostas derretidas que isolam o calor interno, impedindo que a água do combate atinja o núcleo incandescente da estrutura.

 

Um caso emblemático ilustra essa complexidade operacional: após 23 horas de combate contínuo a um incêndio de grandes proporções em uma empresa de logística em Guarulhos, o fogo reacendeu e os bombeiros precisaram retornar ao local na manhã do dia seguinte.

 

O imóvel, localizado na Rua Guaporé, armazenava materiais diversos, incluindo canos de PVC que queimaram intensamente. O chamado inicial ocorreu às 20h29 de uma sexta-feira e a extinção havia sido comunicada às 19h30 do sábado. Contudo, na manhã de domingo, seis viaturas precisaram ser mobilizadas novamente para extinguir os pontos que voltaram a pegar fogo, entrando na fase de rescaldo apenas no início da tarde.

 

Esse evento demonstra que a segurança contra incêndios em estruturas logísticas não depende apenas da extinção inicial, mas de um projeto estruturado para conter a altíssima carga térmica e evitar que materiais densos voltem a entrar em combustão espontânea horas após o incidente.


Passo a passo para adequar o PPCI da sua planta sem interromper a operação


A adequação do PPCI em galpões ativos deve ser executada por meio de etapas planejadas de engenharia de diagnóstico, evitando a paralisação da rotina de movimentação e expedição de mercadorias.

 

Para alinhar a operação logística às exigências normativas sem impactar o faturamento, siga este fluxo de trabalho:


Auditoria de layout e pé-direito


Mapeie a altura exata do topo da última prateleira em relação aos bicos de sprinklers existentes no teto (respeitando o espaço livre mínimo exigido por norma, geralmente de 90 cm).

Recálculo da carga de incêndio


Atualize os cálculos térmicos considerando a classe de risco dos produtos atualmente estocados e o volume total por metro quadrado.


Análise da capacidade hidráulica


Verifique se a reserva de incêndio e o conjunto motobomba possuem vazão e pressão suficientes para suprir as novas demandas do sistema.


Implementação no modelo Turn Key


Programe a instalação das adequações em horários operacionais de baixa movimentação ou em janelas noturnas com equipes especializadas.


Proteja sua operação e evite prejuízos milionários

Um projeto de prevenção defasado coloca em risco a vida dos colaboradores, o patrimônio da empresa e a continuidade do negócio em caso de fiscalização ou sinistro. Garantir a conformidade técnica da sua estrutura é a única forma de operar com tranquilidade e manter o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) válido.

 

Não deixe a segurança da sua infraestrutura para depois. Receba um diagnóstico da sua planta elaborado por especialistas para identificar gargalos de cobertura e adequar seu galpão às exigências normativas com o menor impacto operacional.


FAQ


Qual é o espaço mínimo livre exigido entre o topo da prateleira e o sprinkler?

O espaço livre mínimo exigido entre o topo da mercadoria e o defletor do chuveiro é de 46 cm para sprinklers convencionais e de 91 cm (36'') para sprinklers ESFR. Obstruir essa distância impede que a lâmina de água se forme corretamente.


O aumento na altura das prateleiras exige a troca do conjunto de bombas de incêndio?

Geralmente sim. O aumento na altura das prateleiras e a mudança para bicos de alta vazão (como os ESFR) exigem maior pressão e vazão hidráulica, o que muitas vezes demanda o redimensionamento do conjunto motobomba e o aumento da reserva técnica de água.


Como proteger os bicos de sprinklers in-rack contra colisões de empilhadeiras?

A proteção dos bicos instalados nas prateleiras deve ser feita utilizando grelhas mecânicas de proteção aprovadas para este fim e garantindo que o cabeamento e a tubulação fiquem embutidos nos perfis da estrutura porta-paletes.

 
 
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