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O risco invisível na indústria de alimentos: por que sua proteção contra incêndio pode falhar

  • 31 de mar.
  • 4 min de leitura

Indústrias de alimentos investem pesado em conformidade sanitária e pouco em entender como essa mesma rotina compromete os sistemas de proteção contra incêndio.

 

Higienização com alta pressão, acúmulo de gordura em dutos, poeiras combustíveis em suspensão e instalações elétricas em ambientes úmidos formam um conjunto de riscos específicos que sistemas genéricos não cobrem e gestores não treinados não identificam.

 

Este artigo traz os principais causadores de incêndio na indústria de alimentos e o que a engenharia especializada exige para mitigá-los.


Dutos de exaustão: o combustível que ninguém vê


Em linhas de fritura, assamento e processamento térmico, gordura e vapores orgânicos se depositam continuamente nas paredes internas dos dutos de exaustão. O problema não é a gordura em si, é o que ela se torna com o tempo: um combustível sólido aderido a superfícies de difícil acesso, capaz de propagar chamas até o telhado em minutos.

 

Dois fatores agravam o cenário. Primeiro, sensores convencionais de fumaça perdem eficácia na indústria de alimentos: o vapor constante gera alarmes falsos ou, pior, mascara a detecção real. Segundo, a limpeza dos dutos costuma ser deixada para depois por não ter impacto visível na produção… até que o fogo aparece.

 

A limpeza periódica não é só boa prática: é obrigação legal. A ABNT NBR 14518:2020 regulamenta os sistemas de ventilação para cozinhas profissionais no Brasil, exigindo a limpeza de coifas, dutos e ventiladores por empresas especializadas, com foco direto na prevenção de incêndios.

 

Além disso, a supressão adequada para esse tipo de risco envolve agentes saponificantes (fogos Classe K) com cronogramas de manutenção monitorados digitalmente, garantindo que o acúmulo nunca atinja o patamar crítico.


Poeiras combustíveis: quando a farinha vira explosivo


Açúcar, farinha, amido, cacau e leite em pó parecem inofensivos. Mas em concentrações suficientes no ar, essas partículas finas formam nuvens explosivas e a energia necessária para deflagrá-las é mínima: uma faísca elétrica comum é suficiente.

 

O risco se multiplica em dois pontos críticos da planta:

 

●     Sprinklers obstruídos: bicos cobertos por camadas de pó fino perdem sensibilidade térmica, atrasando a resposta no momento mais crítico;

●     Explosões secundárias: o foco inicial levanta a poeira depositada sobre luminárias e tubulações, gerando uma segunda deflagração mais destrutiva que a primeira.

 

A resposta técnica exige detectores de calor linear ou detectores de chama, tecnologias que não dependem da dispersão de fumaça para funcionar em ambientes saturados de partículas. A classificação e proteção dessas áreas seguem os requisitos da ABNT NBR IEC 60079-10-2, que trata especificamente de atmosferas explosivas por poeiras combustíveis.


Higienização pesada: o inimigo silencioso dos sistemas de segurança


A rotina sanitária exigida pela ANVISA, com jatos de alta pressão, água quente, produtos químicos alcalinos, é essencial para a operação da indústria de alimentos, mas representa uma ameaça direta à integridade dos sistemas de incêndio.

 

Na prática, o que se vê com frequência:

 

●     Detectores de fumaça danificados por umidade ou com grau de proteção (IP) inadequado para o ambiente;

●     Bicos de sprinklers pintados ou obstruídos durante a limpeza, o que anula completamente a função do dispositivo e configura não conformidade grave em vistoria do Corpo de Bombeiros;

●     Componentes metálicos com oxidação precoce por exposição a produtos químicos agressivos.

 

A especificação correta exige materiais resistentes e posicionamento estratégico dos dispositivos, projetados para sobreviver à rotina da planta sem perder eficácia normativa.


Instalações elétricas em zonas úmidas e empoeiradas


Plantas de alimentos combinam dois fatores que elevam o risco elétrico: umidade constante nas áreas de higienização e acúmulo de pó combustível nas áreas de produção seca. Ambos os cenários exigem classificação de área e especificação de equipamentos elétricos com certificação Ex, conforme Portaria INMETRO nº 115/2022.

 

Instalações fora de especificação não são apenas uma infração à NR-23: em ambientes com atmosferas explosivas, são potencialmente o gatilho de um sinistro catastrófico.


Manutenção em operação contínua: o desafio do turno sem pausas


A indústria de alimentos raramente para. O problema é que os sistemas de incêndio também não podem parar de ser mantidos e laudos vencidos expõem a empresa a multas, autuações e negativa de cobertura de seguro.

 

Realizar testes obrigatórios de hidrantes e alarmes sem comprometer a produção ou violar as Boas Práticas de Fabricação exige equipe treinada para atuar em ambientes fabris ativos.

 

A Casa Castilho opera com equipes 100% CLT habilitadas para esse contexto, e todos os ativos de segurança são geridos pela plataforma C&S SAFETY, o que permite apresentar relatórios de conformidade em tempo real para qualquer auditoria, a qualquer momento.

 

Quer uma análise do seu sistema atual? Fale com a equipe da Casa Castilho agora!


FAQ


O agente extintor pode contaminar estoques em caso de disparo acidental?

Sim, dependendo do sistema. Por isso, em plantas de alimentos, a especificação correta indica sistemas de pré-ação e agentes limpos, que eliminam o risco de disparo acidental por dano físico e não deixam resíduos sobre o produto acabado.

 

Como garantir que a higienização não comprometa os detectores?

Especificando dispositivos com invólucros de alta vedação (IP elevado) e proteção mecânica certificada, instalados com projeto de engenharia que considera a rotina operacional da planta.

 

Qual o risco de operar com SPDA desatualizado em áreas com pó combustível?

Em atmosferas explosivas, qualquer descarga atmosférica sem o devido escoamento pode ser o gatilho para um sinistro catastrófico. O laudo de SPDA atualizado é requisito crítico, técnico e legal.

 
 
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